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A pesquisa de campo integra a abordagem “contemporâneo-brasileira” para a cena muito antes de ela se configurar como tal. Na verdade, foi o “campo” que iluminou, para a Andrea Soares as potências, reverberações e insights que surgiam a cada viagem, a cada pequeno adentrar nas diversas culturas tradicionais do Brasil.

Mais tarde, as saibas palavras de Larossa Bondía em seu texto “Notas sobre a experiência e o saber da experiência” ratificaram essa percepção:

“A experiência, a possibilidade de que algo nos aconteça ou nos toque, requer um gesto de interrupção, um gesto que é quase impossível nos tempos que correm: requer parar para pensar, parar para olhar, parar para escutar, pensar mais devagar, olhar mais devagar, e escutar mais devagar; parar para sentir, sentir mais devagar, demorar-se nos detalhes, suspender a opinião, suspender o juízo, suspender a vontade, suspender o automatismo da ação, cultivar a atenção e a delicadeza, abrir os olhos e os ouvidos, falar sobre o que nos acontece, aprender a lentidão, escutar aos outros, cultivar a arte do encontro, calar muito, ter paciência e dar-se tempo e espaço.” BONDÍA, Jorge L. (2002)

 

Algo de mágico acontece quando estamos em campo. É um mergulho! Um conflito e um apaixonamento, um outro tipo de aprendizado que não diz respeito só à parte “catalogadora” do nosso cérebro. Mas ao que se sente, às emoções e às memórias que nosso corpo registra em outras camadas sensoriais.

 

Para o Núcleo Pé de Zamba, a pesquisa de campo é parte fundamental da sua criação e nem sempre ela é possível, dada a utopia que pode parecer perante as formas possíveis de se fazer arte no Brasil. Mas ela é também um compromisso do Núcleo com a visibilidade dessas culturas tradicionais esquecidas e invisibilizadas institucionalmente e, portanto, apartada dos processos formativos oficiais durante quase toda jornada educacional das pessoas.

 

E por isso a gente defende, insiste e recomenda essa prática. O Brasil é profundo!

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na estrada

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A Cruz que me carrega

Quilombo de N. Sra. Do Rosário de Justinópolis/MG

Pesquisa de campo

Apresentação no Quilombo de N. Sra. Do Rosário de Justinópolis/MG

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“SerTÃOmar”

Pesquisa de campo